Por Gabriela dos Anjos – Perita Forense Computacional

O avanço tecnológico permitiu a popularização de diversos programas edição de imagens, alguns gratuitos que podem ser facilmente adquiridas na internet e outras de licença proprietária. Ferramentas de edição de imagens, juntamente com a capacidade inventiva e habilidades humanas de transformar ideias em situações, tem feito desse ambiente computacional um local para expor os resultados destes fatores.

O ser humano tem uma grande capacidade de criar sem limites, porém a capacidade de distinguir o que é realidade e o que não é, segue o caminho inverso. As ferramentas de edição de imagens com sua interface fácil e amigável tem dado assas a imaginação de usuários, até mesmo daqueles que possuem pouco conhecimento e habilidades. Já as manipulações de edições de imagens que são publicadas, podem ser analisadas em dois aspectos. De um lado existem aquelas modificações que visam efetuar uma melhora na qualidade da imagem com por exemplo, brilho,
nitidez, desfoque, contraste, realce entre outras formatações para efetuar uma melhora naquela foto de família, entre amigos e aquela famosa Selfie.

Em outro contexto temos o seu lado obscuro. As mesmas ferramentas sendo utilizadas para fins maliciosos onde, o usuário pode modificá-las para tornar uma imagem inverídica, com a finalidade de ludibriar e enganar aquele que a vê. Um indivíduo mal-intencionado, por exemplo, pode numa composição de uma imagem que citem a cena de um crime, inserir um suposto indivíduo, a fim de incriminá-lo, considerando a imagem como prova em uma ação judicial.

As falsificações de imagens têm grande implicações em quase todas as esferas, questões de leis e segurança nacional, publicações científicas, mídia e publicidade. Um exemplo de impacto bem conhecido de manipulação de imagem com grande repercussão foi do caso que ocorreu com o jornalista canadense que foi apontado de maneira errada como autor do ataque que vitimou 84 pessoas em Nice, na França. Um usuário do Twitter, postou a foto manipulada do jornalista, Veerender Jubbal, com o boato que ele estaria envolvido com o ato de terror. Na imagem manipulada conforme figura 1 abaixo, o rapaz aparece com um colete bomba, segurando o livro sagrado dos muçulmanos, o Alcorão. Essa imagem foi largamente divulgada e chegou a ser publicada na capa de um dos maiores jornais da Espanha “ O LA RAZON”, com a legenda, “Um dos Terroristas”. O impacto desta publicação na vida do jornalista, como de se esperar foi impactante, Veerender recebeu diversas ameaças de morte.

Existem também aquelas fotos manipuladas de pessoas nas redes sociais, com extrema perfeição, sem rugas, espinhas, celulite, estrias. Isso fornece uma falsa impressão que não condiz com o mundo real.

Figura 1 – Fonte: Extra – Globo

Normalmente as manipulações ocorrem para enganar, ludibriar intencionalmente o observador, até mesmo os retoques podem ser prejudiciais, alerta a pesquisadora, Sophie Nightingale, autora do estudo de manipulação de imagem da Universidade de Warnick, no Reino Unido:

Pesquisas mostram que esses padrões de beleza difíceis de serem atendidos, se não impossíveis podem levar a sérios problemas psicológicos e colocar pessoas em risco de desenvolver comportamentos perigosos de exercícios e alimentação, explica.

É inadmissível na luz da lei a manipulação de imagens sem sua prévia autorização, ainda mais quando se tratar de denegrir a imagem e a honra do indivíduo.

A constituição Federal de 1988, no inciso X artigo 5 diz:

“Art. 5o Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade, nos termos seguintes:

X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização
pelo dano material ou moral decorrente de sua violação

Então, existem leis e normas que protegem as pessoas vítimas de calúnia e difamação. O uso indevido de imagem
alheia é crime, conforme vimos acima.

Diante do exposto o Perito Forense Computacional, com base na lei e nas técnicas forenses, busca comprovar se a imagem questionada é fraudulenta. Para iniciar um exame em imagens, todo o material recolhido deve ser conferido e descrito em Ata. As imagens normalmente são enviadas a um perito em algum suporte de mídia digital, como mídias ópticas, cartões de memória entre outros. A depender da situação encontrada o perito pode solicitar os equipamentos originais da imagem. Para serem aceitas para análise os arquivos digitais devem vir
individualizados por meio das funções hash e complementadas com as informações das imagens como: Formato do Arquivo, Tamanho em Pixels, detalhes do algoritmo de compressão entre outras.

O perito ao adquirir uma imagem para realizar uma analise geralmente formulam algumas abordagens como por exemplo:
1- Qual a descrição da cena e dos fatos nela registrado?
2- Identificar os envolvidos por meio do exame de comparação fácil.
3- Estimar a altura dos suspeitos;
4- Verificar a existência de manipulações de caráter fraudulento;
5- Identificar imagens relacionados a pornografia infantil;
6- Estimar velocidades de veículos;
7- Identificar o equipamento que produziu a imagem, ou seja, identificação da fonte.

O exame pericial é bem genérico e faz uso de técnicas de processamento de imagens digitais para que seja possível
mostrar ações que sugerem a prática de infração penal, bem como identificar a autoria.

Nossas principais ferramentas que são bastantes especificas para uso e utiliza as técnicas abaixo:
● Análise de sombras
● Técnicas de Ampliação de Imagens
● Melhoria e Restauração de Imagem
● Filtragem de Ruídos Periódicos – Imagem sem Foco

Além dessas técnicas acima utilizadas, temos diversas outras que utilizamos através das ferramentas forenses
abaixo:
● Amped
● Forevid
● ImageJ ….. Entre outras….

O grupo Café&Forense.Tech é o primeiro grupo de pesquisa sobre Forense da Bahia e alguns membros e peritos do grupo, estão à disposição para assessorar pessoas físicas e jurídicas a fim de ajudá-los na revelação da inveracidade de uma imagem por meio das técnicas
mostradas acima, através de ferramentas que possuem diversos recursos confiáveis, para amparo judicial.

Fonte: 

EXTRA – Jornalista canadense é falsamente acusado de ser autor de ataque em Nice

SENADO FEDERAL – Art 5º –  Dos Direitos e Garantias Fundamentais

Tratado de Computação Forense – Millenium – Editora – 2017 – Vários Autores – Capítulo 6.

Imagem de Destaque: retirada da internet.

3 thoughts to “A atuação do Perito no combate a imagens falsas

  • Abimael F. Barbosa

    Artigo excelente! Abre um campo de ampla visão para as questões de falsas notícias.

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  • Anderson Borges

    Não tinha dimensão da importância desses profissionais neste âmbito é tão pouco da gravidade do cenário que hoje se formou em função da facilidade de acesso as ferramentas tecnológicas. Parabéns, texto de muita clareza e riqueza de informações.

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  • Diego Monteiro

    Ficou show.
    Um Grande conteúdo explicativo e com grande destaque da famosa “fake news” para aqueles que ainda insistem em criar ou propagar este tipo de notícia, sem analisar a fonte de onde ela surgiu e as causas que pode trazer.

    Responder

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